O BES Arte & Finança, em Lisboa, inaugura dia 26 de setembro, a exposição “Andar, abraçar” de Helena Almeida, artista com mais de quarenta anos de carreira, consagrada internacionalmente e um dos maiores nomes da arte contemporânea portuguesa.
Há nove anos que a artista não realizava em Portugal uma exposição fotográfica tão completa como aquela que poderá ser vista no BES Arte & Finança até 9 de Janeiro de 2014. A produção artística de Helena Almeida tem sido objeto de exposições em diversos países mas, em Portugal, a última grande mostra foi a retrospetiva realizada no Centro Cultural de Belém em 2004.
Esta exposição, composta por obras que recuam até 1977 e também por um conjunto muito importante de obras inéditas em Portugal, centra-se sobre dois gestos que surgem recorrentemente na obra de Helena Almeida - andar e abraçar - encontrando um lado simultaneamente poético e performativo do seu trabalho. Para Delfim Sardo, curador da exposição, andar e abraçar são “gestos que pertencem a um léxico humano primeiro” e que são “fundadores da humanidade”. “A especificidade dos dois procedimentos que agora se mapeiam traz consigo, no entanto, dois envolvimentos matriciais – com o chão e com o outro”, comenta.
Um aspeto diferenciador desta exposição é o facto de Artur Rosa, companheiro de vida de Helena Almeida e o fotógrafo que sempre esteve atrás da câmara nos trabalhos dela, aparecer em algumas das imagens agora exibidas, “notando-se um lado quase autobiográfico do seu trabalho”. Destaca-se, nomeadamente, um filme tocante, em que Artur Rosa figura amarrado à sua mulher. O surgimento de Artur Rosa na obra de Helena Almeida só tinha acontecido em imagens da série Sente-me, Ouve-me Vê-me, de 1979 – também presentes na exposição.
Helena Almeida (n. 1934, Lisboa) é uma figura incontornável no panorama internacional da arte contemporânea. A sua prática artística abrange a fotografia, o vídeo e o desenho, evoluindo a partir de uma interrogação permanente da linguagem da pintura.
Uma das principais características do trabalho de Helena Almeida reside no facto de a artista aparecer sempre nas imagens, vestida de preto, por vezes com objetos ou móveis que fazem parte do seu estúdio. As situações retratadas são meticulosamente encenadas, de forma a criar complexas composições visuais que refletem sobre a relação entre a artista e a imagem.
Representou Portugal na Bienal de Veneza em 1982 e em 2005 e recebeu os prémios PhotoEspaña, em 2003 e BESphoto, em 2005. Com um extenso currículo, o seu trabalho encontra-se representado em coleções como The Museum of Modern Art (MoMA), em Nova Iorque, Tate Modern, em Londres, no Museu Nacional de Arte Reina Sofía, em Madrid, e BES arte – Coleção Banco Espírito Santo.
Mais recentemente são de destacar as exposições individuais “Bañada en lágrimas”, na Galeria Helga de Alvear, Madrid (2010); “Travaux récents”, na Galerie les Filles du Calvaire, Paris (2011); “Helena Almeida, One Woman Show”, na Galeria Helga de Alvear, Frieze Art Fair, London (2011); Helena Almeida, na Galeria Vilaseco-Hauser, La Coruña (2013); e “Transubstanciação”, Fundação Leal Rios, Lisboa (2013).
Segundo Delfim Sardo, “a obra de Helena Almeida tem vindo a ser sempre equacionada em relação a dois tópicos recorrentes: por um lado a performatividade que se estabelece de uma forma complexa nas suas imagens fotográficas, suscita uma interrogação permanente sobre o estatuto dessas mesmas imagens. Qual é o seu suporte? O corpo que se metamorfoseia como um corpo genérico, ou a imagem onde ele surge? O segundo tópico refere-se à forma como os géneros artísticos foram sendo desconstruídos na sua abordagem da herança da pintura, como na atividade em torno do desenho – ou mesmo na relação que estabeleceu com o espaço arquitetónico (e vivencial) do seu ateliê.”
O BES Arte & Finança, que tem já um histórico considerável de exposições que marcam a agenda cultural nacional e que trazem ao grande público obras de artistas de renome internacional, vem uma vez mais consolidar a sua posição como espaço de referência no panorama da arte contemporânea.