Cecília Meireles: "vender, vender, vender"
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- 28-11-2012
O turismo em Portugal aposta nas vendas e na requalificação do sector para se adaptar ao novo contexto económico global. Numa entrevista à revista Turismo de Lisboa, de que aqui apresentamos uma síntese, Cecília Meireles, secretária de Estado do Turismo, explicou as grandes mudanças.
Que balanço faz desde que tomou posse? O que foi feito e o que ainda há a fazer para dinamizar o Turismo, o maior exportador de serviços do país?
Ao longo deste ano, muito foi feito. No que diz respeito à promoção, houve necessidade de implementar uma mudança de paradigma, nomeadamente no que concerne ao enfoque, que anteriormente estava concentrado na oferta e que, agora, está focado na procura. Neste sentido, toda a Promoção Externa do Turismo de Portugal sofreu uma adaptação. Hoje, a operação prende-se mais com ações de comercialização e venda, ações mais táticas e mais assertivas junto dos nossos públicos-alvo. Do ponto de vista do investimento houve também uma enorme mudança de orientação política. Todos os esforços estão dirigidos para a reabilitação e requalificação, em detrimento de uma aposta excessiva em novos investimentos que trouxe, ao país e ao sector, problemas muito sérios e que houve a necessidade de corrigir, problemas que eram, e continuam, a ser urgentes de resolver.
Quais serão as principais linhas orientadoras para o Turismo, considerado o setor que mais contribui para o desenvolvimento da economia portuguesa?
Na primeira linha, “vender, vender, vender!”. A nossa aposta tem que ser na captação de turistas para Portugal e rentabilizar o investimento que já foi feito. Se não houver um trabalho muito profundo sobre esta questão não conseguiremos recuperar este investimento, portanto, essa tem que ser a primeira prioridade. Em segundo lugar, novos investimentos: reabilitação, requalificação e restruturação do sector.
Sendo a sazonalidade característica de alguns destinos nacionais, de que forma deverá ser combatida?
De duas formas fundamentais: primeiro, na diversificação de produtos e/ou complementaridade de produtos – o Golfe, o Turismo de Saúde, o Turismo Residencial e o Turismo de Natureza, são bons exemplos de produtos que complementam, por exemplo, o tão desejado Sol & Mar – e, em segundo lugar, a aposta muito forte naquilo que é o transporte aéreo, porque sem combater a disparidade de acessos e de rotas que há entre a época alta e a época baixa, também não é possível corrigir o problema.
Em termos de promoção externa, o que irá ser feito?
Estamos, neste momento, a preparar a promoção de 2013, muito baseada, como já foi referido, em ações táticas que comuniquem de forma assertiva com os nossos mercados, e que têm como objetivos a venda da nossa oferta e o ganho de escala de Portugal enquanto destino turístico. Para os mercados emergentes continuaremos a fomentar missões comerciais, que permitam quer uma aproximação institucional entre Portugal e esses países quer, simultaneamente, apoiar as empresas portuguesas do sector no início de relações com esses mercados.
Tendo em conta o facto de haver cada vez mais potenciais destinos turísticos concorrentes, o que será necessário fazer para que Portugal continue a ser competitivo?
Em primeiro lugar, preservar a nossa qualidade enquanto destino.
Segundo, ganhar escala na promoção e distribuição. Terceiro, um grande esforço de simplificação e desburocratização, bem como diminuição dos custos de contexto das empresas do sector.
Fonte: RTL

